19 de setembro de 2018

FESTA DE NOSSA SENHORA DO CAMPO - EXPOSIÇÃO DAS COLHEITAS





Para relembrar a feira da erva que acontecia juntamente com a Festa de Nossa Senhora do Campo, Jorge Marques, mais uma vez organizou uma pequena exposição dos produtos que marcavam a época. 

20 de março de 2018

VALORES



VALORES


            Hoje venho falar de algo que me vai preocupando cada vez mais enquanto pessoa e enquanto profissional de educação, que são os VALORES. Não os Valores monetários, mas os Valores Sociais, principalmente o Respeito por si e pelos outros.
            Cada vez mais vemos uma sociedade onde a “falta” de Respeito vai imperando em muitos locais: casa, escola, locais públicos, transportes, etc.
            As novas gerações vão deixando de saber qual o verdadeiro significado da palavra Respeito pela falta de exemplo que muitas vezes têm.
            O Respeito começa a construir-se desde cedo, desde tenra idade. Quando a criança ainda pequena levanta a mão para “bater” no adulto e não é corrigida, pensa que é um ato correto e vai continuar a fazer mais e mais, até que quando nos damos conta já nada há a fazer. Essa atitude começa a fazer parte da sua forma de estar que se vai tornar num jovem e posteriormente num adulto.
            Atualmente a sociedade pensa muito no “Eu” e não no “Nós”. Enquanto se pensar no “Eu” não haverá respeito pelo próximo e torna-se numa bola de neve.
            Respeito pela opinião do outro, respeito pela vez do outro, respeito pelos sentimentos do outro, Respeito pelo Outro- Pessoa que é igual a mim e tem tantos direitos e deveres como eu. Não estamos sozinhos, estamos integrados numa sociedade, vivemos em grupo, seja em que situação for: familiar, escola, trabalho, locais públicos, etc. Por isso considero que o Respeito está acima de tudo. E que se queremos ser respeitados também devemos respeitar.
            Enquanto profissional é meu dever ensinar e colocar em prática o Respeito por si e pelo outro, o que nem sempre é fácil. Mas é e continuará a ser uma luta diária. Preocupa-me a falta de respeito pelos colegas e pelo adulto. Cada vez mais têm uma postura de confronto para com o adulto.
            Mas essa luta não deverá passar apenas por mim (Nós-Escola), deverá começar no seio familiar e ser continuado na escola. Somos (ou deveríamos ser) um todo: casa, escola, sociedade em geral e é nosso dever trabalhar e lutar todos pelo mesmo. Neste caso pelas nossas crianças, futuros jovens e adultos.
Respeito demonstra um sentimento positivo por uma pessoa ou para uma entidade (como uma nação, uma religião, etc.) e também ações específicas e condutas representativas daquela estima.


"O auto-respeito é a raiz da disciplina; a noção de dignidade cresce com a habilidade de dizer não a si mesmo."



Ângela Dias

4 de fevereiro de 2018

PARABÉNS CAMPO DE BESTEIROS

Sempre que se aproxima 4 de fevereiro, a saudade aperta, as memórias como que explodem em catadupa, de tempos de meninice, na bela adormecida, aquela bela adormecida que dorme um sono eterno, sem encontrar o seu príncipe encantado que a retire desse letargia a que foi votada. 4 de fevereiro, a vila de Campo de Besteiros faz anos, prenda mínima para quem tanto lutou para que no futuro as gerações vindouras pudessem definir o seu percurso, de forma autónoma, independente. Olhar oitenta e nove anos atrás perdeu-se a dinâmica, a ânsia de querer mudar o mundo, e sobretudo aquele bairrismo, aquele amor filial transformou-se por artes mágicas em comportamento de dormitórios de zonas industriais. Hoje sente-se isso, cada vez que me desloco a um pequeno pedaço do paraíso. Novas atratividades deixam a nossa terra como abandonada à sua sorte, à espera não sabemos muito bem do que aguarda.
Campo de Besteiros ao escrever-te esta carta, numa época tomada pelas novas tecnologias, procuro transmitir-te que a tradição ainda tem outro sabor, ou melhor, aquele sabor, o acreditar deve fazer parte da esperança, da vontade de um povo, embora hoje as lutas sejam outras, porque há causas que se perderam para sempre. Outras nunca se ganharão senão formos capazes de as empreender, de as começar a por na liça. Somos muitos esquecidos da nossa História, e muitas vezes nem sequer nos interrogamos o porquê das coisas. Não valorizamos o que fizemos de inovador, como por exemplo termos sido o berço da avicultura. Hoje deveria ser um dia grande, ou é dos meus ouvidos, mas não ouço nada, talvez só o tilintar dos pratos, somente, somente o tilintar dos pratos, triste sina de uma terra, triste sina.
             
            Numa retrospectiva histórica, a vida, nos finais dos anos vinte, estaria calma na antiga aldeia de Santa Eulália de Besteiros. O seu desenvolvimento era marcante num vale essencialmente rural, agitado às vezes, pela partida dos seus jovens para as grandes cidades, ou para o outro lado do Atlântico, nomeadamente o Brasil. Sempre em busca da quimera, do sol após a linha do horizonte, porque, por vezes o não brilhava para todos.
            Santa Eulália de Besteiros destacava-se pela sua localização, cruzamento de várias estradas que rasgavam o vale, atraía a si as “gentes” das terras em volta, devido à sua importância económica, reflexo do seu comércio e indústria. A nível associativo, duas associações comprovavam o espírito de iniciativa presente nos besteirenses. A Sociedade de Defesa e Propaganda do Vale de Besteiros constituída com o objectivo de defender os interesses da região e o Besteiros Futebol Clube que proporcionava aos jovens a prática do futebol.
            Por vezes temos tendência a minimizar aquilo que é nosso, por isso atentem ao que escrevia um besteirense, na Folha de Tondela de 2 de Março de 1924, “... na nossa terra, tão linda e tão invejada por quantos aqui aportam, ou tem a dita de a conhecer, alguns verdadeiros bairristas convidaram os representantes do comércio e da indústria e os principais proprietários desta freguesia...”
            Por isso, Santa Eulália reunia todas as condições necessárias para ser promovida à categoria de vila, prenda menor para quem almejava a sede do concelho de Besteiros. O Decreto – Lei 16.467 de 4 de Fevereiro elevou Campo de Besteiros à categoria de vila.
            Data significativa para todos os besteirenses que terá sido uma compensação diminuta para aquilo que era ambicionado. Três anos antes lutava-se pela criação do concelho de Besteiros, ambição quase concretizada que só a substituição de um ministro e as jogadas de bastidores que contribuiriam para alteração da decisão da freguesia de Barreiro de Besteiros.
            Mais uma vez, vou ficar por estas linhas que vos deixo.     
            Sejam felizes, são os votos do vosso amigo;

                                               Joaquim Calheiros Duarte

27 de setembro de 2017

ANIVERSÁRIO BESTEIROS F.C.


Besteiros F.C., noventa oito anos, a caminho dos Cem!




Já foram muitas as vezes que escrevi, para mim, o Besteiros Futebol Clube é o melhor clube do mundo, porque é o clube da minha terra. Este clube representa de forma completa o ser besteirense. Faz parte de nós, da nossa maneira de ser, da nossa maneira de não aceitar imposições, mas como representante do espírito besteirense de momentos muito bons, outros momentos nem por isso, em que se perde a dinâmica.
Noventa e oito anos, num ano em que regressa o futebol sénior, que transporta sempre consigo mais emoção, mais interesse, mais sentido ao clube, que continua a ser o melhor clube do mundo, porque é o clube da nossa terra!
Hoje, verificamos a fraca disponibilidade para servir as associações, há cem anos essa disponibilidade existia, e sobretudo era a única forma de abalar o quotidiano; a única forma de desamarrar as teias urdidas pelo estigma da interioridade, da ausência de um futuro risonho nos horizontes e sobretudo a ausência de condições para prática do pontapé na bola. Eles conseguiram contra tudo e contra todos. O sentido de grupo, o sentido de pertencer a um conjunto de pessoas era bastante forte, juntando esforços, desenvolvendo sinergias venciam as dificuldades, e desse desejo surgia a motivação para contraria-las, derrubar obstáculos fossem eles quais fossem. Grande feito daqueles besteirenses na vontade, no desejo de criar um clube de futebol, neste caso, o Besteiros Futebol Clube não foi somente o objetivo de criar um grupo onde pudessem dar uns pontapés na bola, que na altura, como hoje era a modalidade da moda, que veio dos grandes centros para o mundo rural.
Ontem como hoje, o Besteiros é o melhor clube do mundo, porque é o clube da minha terra, é o clube do Avelar, do Baltazar, do Américo, do Jaime Ferreira, do Hilário, do Afonso, do João Almiro, do Joaquim Pelado, do Bernardino Guiné, da Alzira Peixoto, do Artur Adão, do António Tavares, do Samuel, do Belmiro, do Jorge, do Evaristo, do Galo, do Paulo, do Castanheira, do António Augusto, do Niza, do Tavares e de muitos outros, tantos que a memória não abarca que deram o seu sangue, suor e lágrimas para que as cores alvi-rubras conseguissem sempre os seus objetivos. 

Parabéns Besteiros a caminho dos cem! Vamos lá Besteiros!

10 de setembro de 2017

FESTA DE NOSSA SENHORA DO CAMPO - Continuação






Como de costume, e desde que me lembro, pelas onze horas iniciou-se a Eucaristia abrilhantada, este ano, pela banda filarmónica de Pinheiro de Ázere. No fim da Eucaristia, e após a bênção das colheitas expostas na Praça da República, saiu a procissão que percorreu como de costume, a Rua de Nossa Senhora do Campo em direção ao Seixo com os pendões à frente, e depois os andores carregados aos ombros magnificamente enfeitados pelas mordomas bastante extremosas e dedicadas. Obedecendo a uma ordem ancestral, na frente, o andor de Nossa Senhora das Graças, em segundo, o andor de Nossa Senhora do Carmo e por último, o andor de Nossa Senhora do Campo carregado como habitualmente por senhoras. Chegada a procissão ao cruzamento com a avenida de Santa Eulália onde se avista, e se honra a Igreja Matriz, desce em direção à Avenida Dr. Afonso Costa percorrendo-a até ao fim do parque de Campo de Besteiros, regressando à capela de Nossa Senhora do Campo, através da rua ator Alves da Silva. Chegados ao santuário, ocorria noutros tempos um momento alto, no momento da volta ao Santuário os peregrinos aproveitavam a oportunidade para se despedir de Nossa Senhora, rogando proteção. Diziam que era um momento difícil de presenciar, porque em altos brados rogavam por Nossa Senhora do Campo, prometendo voltar. Procissão simples, mas devota que encerra em si um abraço ao vale de Besteiros, e um pouco da sua história, onde hoje a agricultura resume-se a muito poucos agricultores.

Continuamos a considerar que à festa de Nossa Senhora do Campo falta outro olhar, um olhar mais atento, porque desde os primórdios tinha acoplada a si uma feira franca de grande importância para a região. Esta feira franca merecia ser recriada, mesmo que fosse só por um dia, mas para esse objetivo mereceria um olhar mais atento do Município. Deixar morrer as tradições é deixar morrer um pouco de nós, das nossas memórias daquilo que nos distinguia. 
A feira da semente, ou contrário de outras realizações era parte integrante da festa da Nossa Senhora do Campo. Preservar esta festa religiosa deve ser a missão de cada besteirense, mas nunca esquecer  “A Deus o que é Deus, a César o que é de César”. Mas não só!
-------------------------------Um baú de histórias e memórias--------------------------------