29 de março de 2020

CAMPO BESTEIROS HISTORIANDO


CAROS AMIGOS BESTEIRENSES


Sabes, vivíamos na paz dos dias, sabíamos que o mundo estava em guerra, nos anos quarenta do século XX, principalmente a Europa, sabíamos e sentíamos, nas restrições que nos deparávamos no dia a dia.  Conscientes que se vivia num país de liberdade cerceada, em que se falava à boca pequena, em que se desconfiava da própria sombra, fosse a sombra ter ouvidos. Vivia-se, sabes, nunca foi dado a essa coisa da política, nem muito contestatário, pelo menos daqueles que falam muito e muito e hoje até apresentam um currículo anti qualquer coisa, dizem eles, antifascista. Sabes, lá em casa quem era anti - qualquer coisa era a tua avó, bastava alguma coisa estar fora do lugar, já tínhamos sermão e missa cantada.
Que bem que ela realizava a prédica, verdade seja dita, tinha memória de elefante. Elencava o nosso conjunto de falhas ou de erros que esvaziava, num instante, a nossa argumentação. De cabeça baixa, de queixo caído, ouvíamos sem muito contestar o relambório das faltas. Por isso, mais que desgostar o ditador, o “botas” para alguns, era mais importante manter a tua avó satisfeita, porque sem dúvida, era a rainha da casa. Nunca soube ao certo a opinião dela sobre o senhor do Vimeiro, mas acho que lhe torcia o nariz, dizendo que é católico e, se é católico não poderia aceitar determinadas coisas. Mas ao certo não o sei, mas quando o ouvia na rádio, aparelho de excelência lá de casa, saía sempre da sala, resmungando entre os dentes.
Agora falar do nosso Campo, sim, Campo de Besteiros, antiga freguesia de santa Eulália. Ao sábado à noite, ou por vezes, na matiné de domingo tínhamos cinema, na Sociedade de Propaganda. Outras vezes, um baile de gala, e aí tínhamos à escolha, umas vezes na Propaganda, outras vezes no Grémio Besteirense. Mais alinhado, talvez, com a situação o Grémio Besteirense, talvez menos alinhada, a Sociedade de Propaganda. Nunca o saberemos ao certo, o que iria na alma de cada um, não se partilhava sentimentos, nem desejos, muito menos ambições.
Era assim, os nossos dias, mas não penses que não eramos contestatários que o diga o Bispo Moreira Pinto, quando ousou proibir a festa das Cruzes, sim, aquela festa linda que se realiza todos os anos em plena serra. Ouviu das boas, bem nos ameaçou de excomunhão, mas quem ousa enfrentar um povo que tem fé. Quem ousa?

28 de março de 2020

ORAÇÃO PELA HUMANIDADE

"AINDA NÃO TENDES FÉ?"

Foto de arquivo - Festa da Santa Cruz (3 de maio) 2017
Numa praça de São Pedro vazia, o Papa Francisco preside a uma cerimónia de fé, de oração pela humanidade, enquanto a chuva inclemente não parava. O silêncio asfixiante, que incomoda, a angústia do vazio, silêncio esse quebrado pelas palavras do Papa que nos exorta a ter fé. Não termos medo, ter fé, ter confiança. De uma forma humilde, perante Deus por um mundo ainda pejado de vaidade, de arrogância, de incompreensão pelos problemas dos outros. Um mundo de oportunistas, em que muitos se queixam, em que se luta pela vida a cada segundo.
Num mundo em que alguns ainda lutam pelo protagonismo, despejados de compreensão, de humildade, cheios de arrogância que se colocam em bicos de pé para aparecerem nas “fotografias”. Sejamos humildes, sejamos humildes, ter fé, acreditar, ter fé. Conscientes que estamos passar por uma provação para a qual não estávamos preparados, para a qual parecia um cenário de filme, daqueles filmes de categoria B, líamos nos livros da história, mas para muitos de nós era exagero daqueles que no momento a viveram e sofreram. Muitos oravam, na altura e pediam a Deus – “Livre-nos Senhor, da peste, da guerra, da fome”. A trilogia negra que sempre marcou psicologicamente o mundo, principalmente a Europa.
Da leitura do Evangelho saiu a mensagem “ainda não tendes fé?”. Sozinho, perante a imensidão do mundo acompanhado por uma imagem de Cristo Cruxificado, importante para a cidade de Roma rogou por todos nós. Das suas palavras, retive a mensagem – “Estamos todos no mesmo barco. É tempo de reajustar a vida. Só o conseguiremos juntos”.
Mensagem forte, em que as palavras perante a imensidão da tragédia que vivemos ficam embargadas na garganta em que as lágrimas rareiam por terem corrido em abundância, em que muitos não puderam despedir-se dos seus familiares e amigos. “Ainda não tendes fé?”.  

27 de março de 2020

CAMPO DE BESTEIROS, HISTORIANDO!


Campo de Besteiros, Historiando! 


Todos os dias, mesmo, todos os dias, trezentos e sessenta cinco dias no ano, ou como este ano, trezentos e sessenta seis dias, penso no meu torrão natal, na “bela adormecida” e na minha serra, o Caramulo. Todos os dias, a memória enche-se imagens de tempos idos, que não voltam em que calcorreava os caminhos, as veredas, em que inspirava o ar puro deste cantinho único que é o vale de Besteiros. Ser de Besteiros fiquem cientes é ser diferente, mesmo, somos diferentes, mas orgulhamo-nos disso, ser diferentes. Aqui não importa ter bebido água na Fonte do Bico, ou na da Póvoa, muito menos na do Calvário, diziam alguns, a melhor, aqui interessa ser devoto de Nossa Senhora do Campo, sim, acreditamos na Nossa Senhora do Campo que nos protege. Para os mais jovens nunca souberam, ou, irão saber, o prazer de mergulhar na Pedra Furada, ou mesmo, na Tabuaça. Os nossos dias eram regidos pelo toque do sino da Igreja Matriz e das sirenes das fábricas, a Velha e a Nova.
Na hora de despegarem do trabalho era um enxame de gente, a pé ou de bicicleta, a avenida Afonso Costa enchia-se como por magia da vozearia dos operários besteirenses.  (continua)

26 de março de 2020

NOSSA SENHORA DO CAMPO, A TI SENHORA ROGAMOS!

NOSSA SENHORA DO CAMPO, A TI SENHORA ROGAMOS!


Corria o ano de 1636, pleno século XVII, o mar estava alterado, era daquelas tempestades que gelavam o coração e nada de bom se esperava. O Padre André Loureiro de Mesquita regressava do Brasil conjuntamente com outras pessoas viu-se numa situação aflitiva em que as ondas a qualquer momento ameaçavam esmagar a nau que os transportava. A fragilidade do ser humano perante a natureza em que diante dos seus olhos aguardava-se pela onda que os iria naufragar. Desse tempo, chega-nos o relato que a nau foi “assolada por uma tormenta tão grande e desfeita”. Perante tamanho perigo, de joelhos, erguendo as mãos à Nossa Senhora do Campo pediram com fé a intercessão dela para os salvar.
Padre André de Loureiro Mesquita acreditava que Nossa Senhora do Campo protegia os seus filhos, mesmo, no alto mar. Conseguida a graça e já em águas calmas, o Padre André fez um peditório junto dos seus companheiros de viagem e chegado a Lisboa comprou “uma fermosa alâmpada de prata, que tem na circunferência estas letras este alampadário de prata mandou fazer o Padre André Loureiro de Mesquita, era de 1636”.
Infelizmente, desse lampadário não existe vestígio, o mesmo deve ter sido roubado pelas tropas francesas, aquando da terceira invasão, já que o santuário sofreu alguns estragos, nessa época.
Padre André Mesquita, natural de santa Eulália acreditou e rogou com fé a Nossa Senhora do Campo, a graça foi-lhe concedida.

25 de março de 2020

A NOSSA HISTÓRIA


CAMPO DE BESTEIROS, BERÇO DA AVICULTURA EM PORTUGAL 
Foto pertencente ao sítio Origens da Terra, a quem agradecemos

Nós, besteirenses, por vezes, lidamos mal com a nossa história. Será por falta de orgulho nos nossos, ou, outras vezes espero eu bem que não o seja, por inveja, não somos capazes defender o que de bom fizemos. Somos e temos de nos orgulhar disso, o berço da avicultura em Portugal. Fomos pioneiros, e não foram só aqueles que tiveram coragem de dar o primeiro passo, mas também porque a Junta de Freguesia arrendou um espaço, onde foi instalado o primeiro aviário. Possibilitou as condições necessárias para que tal acontecesse. Dizia o povo, mas viu-se que sem razão, pelo menos para alguns que “gado de bico nunca fez ninguém rico”. Sabemos que não é bem assim e naquela altura, em 1952, estava dado o primeiro passo para avicultura industrial em Portugal.
Devemos, depois desta tempestade amainar, depois de a normalidade regressar às nossas vidas, temos de pesquisar, inventariar e irmos para frente com um Centro Interpretativo da Avicultura Industrial. Devemos isso aos nossos antepassados, pela nossa memória e pela nossa história. Sei que alguns de nós têm vontade de dar esse passo, sei que alguns de nós o querem. Uma História que tem que ser feita, um projeto que tem que avançar, pode começar por um núcleo de amigos, ou, por uma confraria, seja uma Liga, temos de dar o primeiro passo.
Estarei disponível, conjuntamente com outros para fazer esse trabalho. Estamos nessa?

24 de março de 2020

NO MEU TEMPO É QUE ERA...


CAROS AMIGOS BESTEIRENSES; 


Fim de tarde, as tarefas diárias já tinham sido cumpridas, umas bem, outras, nem por isso, feitas à “trouxa-moucha” que sou sincero, nunca soube bem o significado. Mas gostava de ouvir, aquela tonalidade francesa da expressão, dava um ar chique à reprimenda. Seria culta, talvez, não saberia tocar piano como mandavam as regras da etiqueta, nem andar a cavalo, mas a expressão, talvez nos quisesse dizer que teríamos falhado na nossa tarefa diária e tentado enganar quem nos tinha ordenado tal ocupação.
No largo do Seixo, junto à nascente de Sameiro que, entretanto, o progresso fez desaparecer, reuníamo-nos e jogávamos ao jogo do botão, outras vezes, ao jogo do berlinde. Também era o local preferido para jogar às escondidas que frondosos plátanos nos protegia do sol inclemente do verão. O tempo passava, e fim de tarde, dos dias quente de verão, o dia como que se prolongava, por nós, para nos dar tempo, em que o mundo se resumia, ao nosso mundo, o mundo que nós conhecíamos. Aquele mundo, só nosso, em que longe, longe seria ir à Pedra Furada. Detrás de nós, a Serra do Caramulo, a proteger-nos, também de mil histórias, muitas delas, à volta do Penedo do Ladrão. Tantas histórias que se contavam, pena de não as ter registado. Para nascente, a serra da Estrela, por vezes, alva, nos dias frios de inverno. Sentimos, porém, que o clima, mesmo nos dias mais frios não era tão agreste, estávamos, como protegidos, disso era, e é, bom exemplo, a saborosa laranja de Besteiros. Pintalgava de cores a encosta da serra, as encostas principalmente as da freguesia de Castelões. Embora, exista uma unidade geográfica do vale, das três freguesias e não só geográfica, era também psicológica, como se pertencessem ao mesmo território, sem ser separado pelos limites da freguesia. Na realidade até pertencem e naquele tempo tinham sonhos comuns.
Outros jogos também nos preenchiam o tempo, qual vírus nos fechava em casa, sim, como muitos de nós escrevem e sentem, eramos felizes e não sabíamos. Velhos tempos, bons tempos!

23 de março de 2020

Nossa Senhora do Campo, a vós, Senhora!


Nossa Senhora do Campo, a vós, Senhora!


Em 1682, o povo de Santa Eulália recorreu a Nossa Senhora do Campo com fé, em prece, hoje, esse ato de ir em grupo não seria aconselhável, mas eles acreditaram que a Nossa Senhora os poderia ajudar. Os campos de onde retiravam o seu sustento estavam a ser dizimados por uma praga de lagartas que tudo devorava, na sua passagem. Dos relatos que nos chegaram, as lagartas devoravam tudo, deixando os campos secos, tristes, improdutivos. Das culturas que embelezavam o vale de Besteiros, um vale fértil que dava sustento para habitantes deste paraíso, na terra estavam em perigo por uma simples lagarta. Compreendemos, hoje, o drama, a impotência dos agricultores ao depararem com as suas culturas destruídas com todo o seu trabalho em vão que se iria refletir no inverno com as arcas vazias.
Decididos perante tal calamidade reuniram-se e foram em procissão com as suas ladainhas, à frente com a sua cruz paroquial e rogaram de joelhos em terra à Senhora do Campo. Conjuntamente com eles foram também os habitantes de Castelões, já que os seus terrenos padeciam do mesmo mal. Gratos, todos os anos, a partir dessa data, foram em agradecimento ao santuário de Nossa Senhora do Campo. Todos os anos até provavelmente 1918 com uma interrupção a partir de 1912. Dessa última vez temos o relato que se refere ao ano de 1918 e o dia 15 de agosto. Guardão, porém, continua, ano após ano, a 10 de agosto, a cumprir o seu voto e a vir em procissão à Nossa Senhora do Campo. Também, Santiago de Besteiros vinha, no dia 5 de agosto com a sua cruz e ladainha agradecer a Nossa senhora do Campo, de uma graça recebida em 1628.
Ter fé, agir, acreditar e isso que faz um povo para resistir às calamidades. Ter fé, ter esperança que o sol irá outra vez sorrir. Ter fé, apesar de afastados, porque é assim tem que ser, é assim que nos protegemos como grupo, é assim que adotamos as medidas profiláticas para nos proteger.   
Ter fé, torna-nos mais fortes em busca de um objetivo comum. Essa fé que os habitantes do vale e da serra tiveram e não interessa aqui se houve ou não houve intervenção divina, interessa sim, como povo, unidos em torno do mesmo ideal. Somos povo, se formos, solidários, unos, tivermos fé, acreditarmos, sim, acreditarmos que tudo vai melhorar, acreditarmos que tudo vai correr bem.

22 de março de 2020

No meu tempo é que era...


Caros amigos besteirenses



Falas das novas tecnologias, de tablets, da facilidade de comunicar, mas como sabes, fico para aqui sozinho, neste lar, raramente vejo alguém que se diz da minha família, raramente vejo alguém, que se diz do meu sangue. Dizem que estas tecnologias vieram aproximar as pessoas, acho que não e temo que não. Cada vez mais sinto-me sozinho, para aqui despejado, neste lar com a Emilínha, a bater em todos, que raio de feitio tem a velha. Ainda bem que já não tem dentes, não seria só à paulada, mas também à dentada. Estas velhas não têm juízo é mais nova de que eu, cinco anos, mas eu estou aqui jovem, para as curvas, não muito pronunciadas, porque enjoo.
Falas do mundo de hoje, o de ontem, seria, afirmas que era bem melhor. Não te convenças disso. Quando a tua Bisavó dizia os meus dois nomes, isso sim, é que era comunicação. Há pernas para que vos quero. O caminho para casa encurtava e um friozinho no estômago, porque sabia que pela certa iria ter baile de chinelo. E quem bem dançava o chinelo, que bem dançava. Dançava o bailinho da Madeira, o enleio, que se enleva de tal forma nas minhas pernas que dançava aos saltinhos. Que dança moderna dançava, de mão atrás, a proteger o que não havia para proteger.
Bons tempos, bons tempos em que uma sardinha se dividia por três, aprendíamos a dividir, a multiplicar pelas bocas de casa, já que o tempo não era de abundância, mas sim, de carestia.
A rua era a nossa casa, o nosso mundo, o mundo da brincadeira, somente alguns momentos, nas tardes de domingo, porque o domingo começava com a devoção. Ir à Missa, à Santa Missa, todo o Santo Domingo. Os homens à frente, as mulheres atrás. Os mais rebeldes para o coro, em que nas escadas para a Torre sineira ousavam fumar, sim, fumar. Que costume, empestavam o ambiente, mas orgulhosos, impantes, enchiam os pulmões de nicotina, mais tarde, coitados, a tosse toma conta deles e a doença. Mas era vê-los, por vezes, mais pequenos que o cigarro, o Kentucky, sem filtro, que segundo diziam, sabia mal que fartava. Autêntico mata-ratos, isso era mais o Definitivo, mas naqueles momentos, aqueles rapazes sentiam-se homens, não de H grande, mas sim de h, pequeno, mas sentiam-se homens.  
Vestia-se a roupa de domingo, a roupa de ir à madrinha, na procura do folar, de folar de Páscoa e nesse dia, sabíamos quem era a madrinha, de quem nos tínhamos esquecido noutras alturas do ano, assim como tu, mas não tínhamos essa coisa das redes sociais. Na verdade, não entendo nada dessa coisa das redes sociais, a tua mãe, já quis que eu visse. Diz ela que assim ficaria a par das novidades, vossas e de outros, mas ficaria eu e meio mundo. Francamente é coisa que não entendo. Lembro-me da Maria, coitada que todos os dias de madrugada, quando vinha ao leite cantava a sua vida a toda a gente que a ouvia, resguardada nas suas casas. Cantava sim, porque para tudo tinha uma canção e assim, relatava a sua vida. Ninguém colocava um gosto, alguns riam-se, outros…outros…enfim, tinham pena, mas ter pena de quem ousava partilhar as suas histórias em que normalmente era a heroína. Hoje teria milhares de gostos!
Preocupa-me é isso dos plásticos. Sim, preocupa-me, sabes, no meu tempo, isso dos plásticos era coisa que não havia. Íamos buscar o pão num saco de pano, sim, num saco de pano, e isso beber água de plástico não prestava, mas de barro, sim que sabor, conservava as qualidades. Por isso, preocupa-me isso dos plásticos, falas também dos edulcorantes, sou sincero, nem sei bem o que é isso. As letras pequeninas, os meus olhos já não alcançam. Queria ler, mas já não consigo, as letras bailam, já não fazem livros com letras grandes. Já não tenho quem me leia, perdeu-se esse costume, de ler em público ao serão, o jornal, algum livro e todos comentavam.
Um abraço apertado cheio de saudades.

21 de março de 2020

CONTINUAMOS A TER ESPERANÇA!





Refletir sobre estes dias que se vivem, em que estamos num meio de vulcão, sem que para tal tivéssemos feito algo para isso.
Estamos preocupados, muitos de nós confinados à nossa casa, numa medida profilática, mas necessária que não liquida o vírus, mas tenta proteger-nos da sua propagação. Outros, de nós, no litoral do país, no estrangeiro querem agora regressar, em parte para virem para ao pé dos seus, mas sobretudo numa fuga para o interior.
 Aqui, no interior, vivem pessoas, portugueses de primeira, que infelizmente para muitos são considerados de segunda. Sabemos isso pela lei eleitoral que retira deputados ao interior para dar ao litoral baseado numa premissa do número de habitantes, porque não interessa rever essa lei, não interessa tratar os portugueses do interior com equidade. Aqui vive gente que fala português muito arreigada às tradições, gente envelhecida, mas portugueses de primeira, gente que precisa de ser protegida em que alegria ditada pelo regresso de alguns de nós pode colocar em causa todo o equilíbrio, a segurança e a saúde de todos.
Gente envelhecida para qual pedimos respeito, valores e que sejam protegidos e para eles apesar da distância do amor filial, que essa distância seja preservada para a proteção de todos.
Nestes vales, nestes montes que que se ouvem cada vez mais os passarinhos em que a natureza, mais uma vez se renova, acreditamos e temos esperança que o futuro ainda irá sorrir. Vivemos tempos diferentes em que nos montes enxameados de javalis, dizem alguns, a internet é mais lenta, dizem outros, em que já não se ouvem cantigas de antanho, os sorrisos perderam-se, mas confiamos na Nossa Senhora do Campo que nos proteja e guarda, já que o mundo em devido tempo não foi capaz de impor um cordão sanitário em redor da China.
Mas se alguns de nós regressarem, fiquem em quarentena, mas seria melhor não virem, mas se vierem, repito, proteja-se a si e aos outros.
É também o meu desejo regressar por umas horas a Campo de Besteiros, mas fico-me somente pelo desejo, porque um dia, um dia nos encontraremos nas nossas festas, a venerarmos os nossos santos, a rogarmos e agradecermos a proteção para o vale e para serra.
Fiquem bem, um abraço virtual a todos sejam eles besteirenses, ou a apenas cidadãos do mundo!

20 de março de 2020

S(C)EM PALAVRAS - CATORZE ANOS DE HISTÓRIAS

CANTINHO DO BESTEIRO 

Do silêncio propositado deste espaço, em que a primeira postagem ocorreu em 10 de setembro de 2006, quase catorze anos, uns anos mais profícuos, outros, nem por isso, porque o cansaço às vezes, vencem-nos. Estar longe é estar afastado do epicentro das notícias que por vezes ao trazer-se para aqui, incomodava alguns, embora, este espaço, seja mais um álbum de memórias e de algumas histórias que se decide partilhar.
Nestes dias, dias de tempo, dias únicos, em que participamos quase sem querer na História, numa história que parece retirada de um filme. Serão dias que irão deixar o mundo diferente.

19 de março de 2020

S(C)EM PALAVRAS




DIA DO PAI

Apetece entrar no carro, percorrer um pouco mais de cem quilómetros e ir até a “bela adormecida”. Sentar-me num banco, num banco de madeira, no Monte do Calvário, estender as pernas e olhar, sim, só olhar. Defronte da nossa serra, a Serra do Caramulo, deleitar-me em ver aos meus pés Campo de Besteiros, a minha terra, sem dúvida, a terra mais bonita do mundo, porque como escrevi muitas vezes, e que possa escrever mais vezes ainda, porque é a nossa Terra.

4 de fevereiro de 2019

Parabéns Campo de Besteiros!



4 de fevereiro data significativa para campo de Besteiros. Quatro de fevereiro, noventa anos do título de vila honorífico. Quatro de fevereiro tantas histórias que se acumulam, se revivem, se partilham, não há muito tempo alguém me disse “que só se ama aquilo que se conhece”. Verdade, temos de conhecer a história da nossa terra, dos nossos antepassados para termos orgulho. 

14 de novembro de 2018

UM SINTÉTICO JÁ EM CAMPO DE BESTEIROS!




É assim, já escrevi muitas vezes que devia ser colocado um relvado sintético no campo da Corte, em Campo de Besteiros. Gosto de ouvir os argumentos, do poder local, ou de outros, tal como eu, pensadores e convencidos que são os arautos das causas perdidas. Assim, temos sintético em Molelos – cidade de Tondela, temos sintético em Nandufe – cidade de Tondela, sintético ao serviço dos clubes. Não temos sintético em Campo de Besteiros, porque o dinheiro não dá para tudo e, não se pode colocar sintéticos em todo o lado. Assim falava Couto dos Santos, ministro de má memória da Educação, pasme-se, acerca das universidades que não eram como tabernas, para serem abertas em toda a esquina.
Estes argumentos são válidos, ou não, mas o único sintético que se justificava nestes anos todos era em Campo de Besteiros, porque serviria os clubes, mas serviria, sobretudo uma população estudantil, do 1.º ciclo ao 3.º ciclo, porque o Secundário, apesar de ter sido prometido há cerca de trinta anos foi “desviado” para Molelos. Por isso não sei do que estão à espera para colocar um sintético em Campo de Besteiros.

-------------------------------Um baú de histórias e memórias--------------------------------