13 de maio de 2016

FESTA DAS CRUZES - SETE IMAGENS


As varas assinalam o local onde as cruzes, da paróquia anfitreã e as paroquias visitantes se abraçam numa cerimónia cheia de simbolismo.

5 de maio de 2016

FESTA DAS CRUZES

APESAR DA CHUVA REVIVEU-SE A TRADIÇÃO!



Chovia que Deus a dava. Mas este ano do céu tem vindo uma grande fartura de água, os campos estão húmidos e e tanta água também não é benéfica! Mesmo com chuva, mesmo por vezes olhar para o chão e desviar das poças, foram ainda muitos resistentes que subiram a serra para participar na Festa das Cruzes.
Reviver e participar na Festa das Cruzes no Guardão é daqueles momentos mágicos que num momento nos transporta ao nosso tempo de infância, em que o dia de Ascensão era de importância transcendente, na religiosidade do vale e da serra. Os nossos antepassados transmitiam aos mais novos a vontade de continuar até ao fim dos tempos esta tradição, a vontade de um povo, que nos anos quarenta do século XX, mesmo sem serem acompanhados por um padre continuaram a cumprir a tradição. Mesmo ameaçados de excomunhão foram ano após anos cumprir a palavra daqueles que honraram este povo de Besteiros.   As origens apontam datas, mas a tradição oral que foi sendo transmitida de geração em geração deveu-se às lutas contra os mouros, e os povos do vale, aguerridos foram em auxílio das gentes da serra, situação que parece recreada na formação das procissões de Santiago de Besteiros, Campo de Besteiros e Castelões.
 Perto de um antigo castro, as três freguesias, em posições diferentes como num campo de batalha se tratasse preparam-se para percorrer caminhos impregnados de história, ao mesmo tempo que se apuram as vozes para, neste caso não dar gritos de guerra, mas para entoar as ladainhas a louvar e rogar pelas sementeiras que entretanto nos aguardava outrora num vale fértil. De histórias e de lendas conta-se que chefe Lusitano Briceu recrutou nestas terras os seus valorosos guerreiros, que se notabilizaram no domínio da Besta, dando origem ao nome Besteiros que se estendeu a toda uma terra. A tradição oral perpetua esta versão, onde muitas vezes a Igreja via-se abraços com o culto pagão às divindades que entretanto procurou cristianizar. Certo que esta festa não remonta ao tempo das lutas entre cristãos e mouros, sendo muito mais recente, mas nada contraria que não seja recreada essa luta de importância transcendental para o povo cristão. Aconteceu noutros sítios, onde grandeza dos acontecimentos que ficaram na memória popular fossem mais tarde honrados por povos vindouros. De certeza que existe uma grande ligação entre o culto de Nossa Senhora do Campo onde se deslocavam as quatro freguesias em momentos diferentes do ano, com as festas das cruzes e sobretudo a cerimónia de bênção dos campos. Era à Nossa Senhora do Campo aquém recorriam os agricultores para a proteção das suas sementeiras. As três freguesias do vale de Besteiros continuam com as suas procissões a participar na Festa das Cruzes, mas ao Santuário de Nossa Senhora do Campo somente cumpre a tradição a paróquia do Guardão, que no dia de São Lourenço desce ao vale e vem honrar a promessa dos seus antepassados.
Em dia de chuva, em dia de nevoeiro, sem se poder ver o vale, a Festa das Cruzes ainda encanta, já sem as grandes multidões de outrora, porque os tempos são outros, menos dados à satisfação do espírito e à religiosidade. São momentos únicos, participar, sentir, ouvir, ver o desmanchar a procissão para mais à frente, junto à Capela de São Sebastião se formar novamente, então em direção à Igreja Matriz do Guardão onde serão recebidas pelos anfitriães, não para travarem uma batalha, mas para darem o abraço de paz, de solidariedade, e que momento este, tão profundo, tão significativo.
Por último depois da Eucaristia e da cerimónia da bênção dos campos, aqui alguma semelhança com a Festa da Espiga que ainda acontece por esse país fora, as quatro freguesias vão em majestosa procissão percorrer os caminhos, que antes tinham sido percorridos individualmente por cada uma das freguesias participantes.
Festa das Cruzes do século XXI, ainda continua ser mágica, ainda transporta consigo a mensagem da importância da história comum do vale com a serra. Reviver impõe-se e não importa a sua origem, importa sim a sua mensagem, embora hoje as coisas parecem feitas sem o sentir, onde as procissões a decorrer rodeada por bancas, onde ao mesmo tempo se enchem copos de vinho e se negoceia umas tortas ou umas ferramentas para o campo.  

Quanto à história nada prova aquela teoria das doze paróquias, antes pelo contrário, mas nesta comemoração revive-se um momento bastante significativo na vida destas quatro paróquias, e uma profunda ligação com o culto de Nossa Senhora do Campo. 

4 de fevereiro de 2016

PARABÉNS CAMPO DE BESTEIROS!


Hoje, 4 de fevereiro, hoje cumpre-se, a História quando em 1929 é atribuído a Santa Eulália de Besteiros o título de vila alterando o nome para Campo de Besteiros. Compensação pequena para aquilo que se lutou. Hoje se tivesse existido justiça serias concelho, mesmo assim és a terra mais bonita do mundo, a “bela adormecida”, porque és a terra onde nasci, eu e muitos besteirenses espalhados pelo mundo. Parabéns Campo de Besteiros.

4 de janeiro de 2016

concurso de fotografia “500 anos…500 marcas”!


No âmbito das comemorações dos 500 anos da outorga de Foral ao Concelho de Besteiros por D. Manuel I em 14 de julho de 1515 decorreu, durante os meses de junho a outubro, o concurso de fotografia “500 anos…500 marcas”, uma iniciativa do Gabinete de Património Cultural do Município de Tondela.

No dia em que se comemorou o 28.º aniversário da elevação de Tondela a cidade, foram atribuídos os prémios do concurso. O júri foi constituído por Carlos Teles (Fotógrafo), Carlos Silva (Designer) e Miguel Torres (ACERT), que avaliaram o resultado do trabalho de sete concorrentes (Tondela, Armamar e Mortágua), de entre os quinze que à partida se inscreveram.
O concurso procurou dar a conhecer os valores culturais do Concelho de Tondela, contextualizados em três categorias: Usos, costumes e tradições – “A Gente de Tondela”, Património Cultural (edificado e arqueológico) e Fauna e Flora. Cada categoria foi premiada com 1.º, 2.º e 3.º lugar com o valor de 150,00€, 100,00€ e 75,00€, respetivamente.

Os vencedores das diferentes categorias foram:
Categoria a): Usos, costumes e tradições - «a gente de Tondela»
3.º Lugar: Joaquim Manuel Calheiros Duarte, de Armamar, com a fotografia “Encontro” tirada em Campo de Besteiros na Semana Santa
2.º Lugar: Hugo Jorge Pires Ferreira, de Mortágua, com a fotografia “Manada pastando…” tirada entre Jueus e Malhapão de Cima.
1.º Lugar: Joaquim Manuel Calheiros Duarte, com a fotografia “A peregrina” tirada em Campo de Besteiros na Festa da Santa Cruz.

Categoria b): Património Cultural (edificado e arqueológico)
3.º Lugar: Paula Cristina Figueiredo Marques, de Tondela, com a fotografia “Roda viva” tirada em Lobão da Beira.
2.º Lugar: Joaquim Manuel Calheiros Duarte, com a fotografia “Santa Maria do Guardão”.
1.º Lugar: Hugo Jorge Pires Ferreira, com a fotografia “Ponte romana”, tirada em Ferreirós do Dão.

Categoria c): Fauna e Flora
3.º Lugar: Oscar Sánchez Requena, de Molelos, com a fotografia “Rio Cris”, fotografia tirada em Molelos.
2.º Lugar: Paula Cristina Figueiredo Marques, com a fotografia “A libélula”, tirada em Tondela.
1.º Lugar: Hugo Jorge Pires Ferreira, com a fotografia “Mata do Cabeço da Neve”, tirada na mata junto ao miradouro.

27 de setembro de 2015

BESTEIROS F.C. Comemora noventa e seis anos de História


 


 
Escrever sobre o Besteiros Futebol Clube é escrever sobre o clube mais antigo do concelho de Tondela, e um dos mais antigos do distrito de Viseu. Em 27 de setembro de 1919, um grupo de briosos besteirenses, onde se deve salientar Avelar Úria Leitão, Baltasar Ferreira e Américo Augusto da Cruz fundaram o Besteiros Futebol Clube, nesse dia, não nasceu somente um clube, mas também a bandeira de uma região que é o vale de Besteiros.

Campo de Besteiros, na altura denominada aldeia de Santa Eulália de Besteiros, revelava no dealbar dos anos vinte do século passado, grande abertura à prática desportiva e à constituição de associações, com vista a reforçar o espírito comunitário e potencializar a força e o dinamismo da sua juventude. Dentro deste espírito dinâmico do pós-guerra, não foi de estranhar o aparecimento de um grupo dedicado ao futebol, modalidade que aos poucos se consolidava no país.

No concelho de Tondela já há alguns anos tinha chegado a “redondinha”, mas os grupos surgiam, e ao mesmo tempo desapareciam, porque só se uniam para dar uns pontapés na bola em algum descampado, mesmo com árvores pelo meio. Em Santa Eulália de Besteiros não se pensava assim. A ideia já andava na cabeça dos jovens besteirenses de formar um clube, um clube que expressasse a união de um vale, que unisse as vontades de uma terra que apesar dos registos oficiais a conhecerem como Santa Eulália, para todos já era Besteiros. No verão de dezanove, dois jovens que jogavam no F. C do Porto, estiveram aqui de férias, aceleraram o “bichinho”, e ainda o outono tinha entrado só alguns dias fundou-se o clube mais antigo do concelho de Tondela, de nome, Besteiros Futebol Clube. Primeiro, ainda sem equipamento, era o tempo do “vale tudo”, porque importante era “acertar” na bola para os lados do fundo do parque de Campo de Besteiros, onde se reuniam jovens do campo, de Castelões e de Santiago de Besteiros.

Passados noventa e seis anos comemorou-se com a romagem dos besteirenses presentes ao cemitério de Campo de Besteiros, onde se colocou um ramo de flores para honrar a memória dos fundadores do clube, de antigos atletas, dirigentes, sócios, simpatizantes enterrados nesse campo sagrado, homenagem também extensível a todos aqueles que já partiram e estão espalhados pelo mundo e que um dia honraram, lutaram e sofreram pelo Besteiros Futebol Clube.

De seguida, já com a presença do presidente do Município de Tondela, Dr. José António Jesus acompanhado por três vereadores que fazem parte do seu executivo, iniciou-se uma pequena cerimónia na sede do clube, onde foram proferidas algumas palavras a realçar o significado da data. Perante um número significativo de besteirenses que enchiam a sede do clube, o presidente da direção do Besteiros F.C. declarou que era “…uma honra ter o presidente do Município entre nós, sabendo bem sentir de perto o carinho, o aconchego, os quais raramente nos chegaram ao longo de todas estas décadas. Sentimos mais ousadia para lhe pedir o apoio na regeneração e recuperação deste edifício sede onde nos encontramos”. Na continuação do seu discurso referiu que “…um pavilhão com o piso degradado não é convidativo para a prática desportiva, porque nós queremos a sua promessa que tudo fará para termos um campo de futebol moderno que sirva as nossas escolas e potencie a captação de praticantes para atividade desportiva que o clube pretende incrementar”.

Em resposta, o presidente do Município de Tondela, Dr. José António Jesus respondeu que era uma honra estar presente conjuntamente com besteirenses que “vivem com o coração e sentem com a alma a atividade e vida deste clube. Noventa e seis anos é uma data bem expressiva a que todos temos a obrigação de perpetuar.” Alertou, porém que “uma instituição não pode viver da sua história, porque é importante responder e adaptar-se ao desafio do presente. Temos de ser mais comedidos e ajustar os nossos investimentos naquilo que é mais necessário. Devemos gerir os investimentos em função da sua justificação, da sua utilidade e funcionalidade, e ver quem mais precisa e servir a comunidade numa lógica de responsabilidade partilhada. No final do seu discurso desafiou os besteirenses presentes a empreender “nestes quatro anos a revitalização do espírito do Besteiros, preparara-lo para os desafios de hoje, sentir nas mãos o pulsar desse centenário.”

Encerrou-se este dia significativo na memória besteirense com um pequeno lanche onde se cantou os parabéns ao Besteiros Futebol Clube e o desejo secreto de poder ver outras vezes as camisolas alvi-rubras pelos campos e pavilhões a brilhar, para então de plenos pulmões gritar, “Vamos lá Besteiros”.

 

PARABÉNS BESTEIROS FUTEBOL CLUBE


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