A
partir dos anos setenta assistimos ao nível de conceito de uma tentativa de alargar
o Vale de Besteiros. Confundindo-se de forma deliberada o Vale com o antigo
concelho. Tenta-se colocar o coração do Vale de besteiros numa terra situada
num planalto. Mas não é bem assim, a verdade é diferente. No início do século
vinte, era considerado por todos, porque ainda não passavam cem anos da mudança
da sede do concelho para Tondela e também da mudança do nome que o Vale de
Besteiros eram e são as terras situadas na parte ocidental do rio Crís, naquele
vale balizado pela Serra do Caramulo nos limites geográficos das freguesias de
Santiago, Santa Eulália e Castelões. Vimos escrito por alguns que O Vale de
Besteiros ia do caramulo à Estrela, outros mais modestos, querem localizar o
vale de Besteiros até ao rio Dão. No início do século vinte, o director da
“Folha De Tondela” escrevia que se tinha deslocado ao vale de Besteiros, vale
ao qual já não se deslocava algum tempo, segundo ele. O referido senhor vivia
em Tondela, por isso no início do século, o vale, o verdadeiro vale de
Besteiros, era este o real e não aquele que alguns querem alargar.
Dentro
desse prisma, surgiu a necessidade em meados da terceira década do século vinte
de se criar uma entidade para a defesa e propaganda do Vale de Besteiros. Foram
muitos os besteirenses que participaram nessa reunião inicial que tinha “o
louvável intuito de promover a defesa dos interesses desta região e de fazer a
mais intensa propaganda da nossa terra, tão linda e invejada por quantos que
aqui aportam…”, escrevia um articulista num artigo publicado na Folha de
Tondela a 29 de Março de 1924.
Também
no início do século XX, as notícias do vale de Besteiros e precisamente da
freguesia de Santa Eulália de Besteiros intitulavam-se ou “Por terra de
Besteiros” ou de “Besteiros”.
Essa
reunião foi muito concorrida, tendo sido presidida pelo Dr. Melo Cabral que num
“eloquente improviso que o fim daquela reunião devia ser completamente alheia à
política e mostrou com dados seguros quais as vantagens para a região uma
propaganda bem orientada e bem dirigida”. Sentia-se a necessidade, desde sempre
em “elevar a nossa terra e a região à consideração a quem tem direito”.
Nessa
reunião estiveram presentes “todas as forças vivas da freguesia, por isso era a
demonstração que todos desejavam colaborar”. Decidiram nomear três comissões
funções distintas: “ …uma executiva, outra de propaganda e uma direcção que
tratasse dos estatutos”.
O
articulista concluiu que o “nosso campo deseja também caminhar na vanguarda do
progresso e que, se poderem congregar os esforços de todos, aniquilando de vez
os ódios, todas as más vontades, e todas as invejas, este empreendimento será o
início de novos empreendimentos que se formarão para o engrandecimento desta
abençoada região…”. Concluiu com palavras sábias e bastantes actuais, “é
preciso moralizar a vida social desta freguesia para que a união seja completa,
pois sem união pouco ou nada se fará.”
Na
consequência dessa reunião inscreveram-se vinte cinco sócios.
Estava
dado o primeiro passo para a criação da Sociedade de Propaganda de Besteiros
que marcou sem dúvida nenhuma grande parte do século XX do Vale de Besteiros.
2 comentários:
É preciso repor a verdade e combater todos aqueles que querem mudar o rumo da história. Um certo jornaleco interactivo da cidade de Tondela insiste na tecla do alargamento do Vale de Besteiros e até nas reportagens dos jogos do Desportivo de Tondela é mencionado como clube do Vale de Besteiros. É preciso desfaçatês e sinceramente já não há pachorra.
Campo de Besteiros nesses longinquos anos tinha gente com garra e muita iniciativa, o que infelizmente hoje não sucede, pois parece uma terra de acomodados, salvo umas poucas excepções.
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