25 de outubro de 2012

Vale de Besteiros - o único, o verdadeiro!


A partir dos anos setenta assistimos ao nível de conceito de uma tentativa de alargar o Vale de Besteiros. Confundindo-se de forma deliberada o Vale com o antigo concelho. Tenta-se colocar o coração do Vale de besteiros numa terra situada num planalto. Mas não é bem assim, a verdade é diferente. No início do século vinte, era considerado por todos, porque ainda não passavam cem anos da mudança da sede do concelho para Tondela e também da mudança do nome que o Vale de Besteiros eram e são as terras situadas na parte ocidental do rio Crís, naquele vale balizado pela Serra do Caramulo nos limites geográficos das freguesias de Santiago, Santa Eulália e Castelões. Vimos escrito por alguns que O Vale de Besteiros ia do caramulo à Estrela, outros mais modestos, querem localizar o vale de Besteiros até ao rio Dão. No início do século vinte, o director da “Folha De Tondela” escrevia que se tinha deslocado ao vale de Besteiros, vale ao qual já não se deslocava algum tempo, segundo ele. O referido senhor vivia em Tondela, por isso no início do século, o vale, o verdadeiro vale de Besteiros, era este o real e não aquele que alguns querem alargar.

Dentro desse prisma, surgiu a necessidade em meados da terceira década do século vinte de se criar uma entidade para a defesa e propaganda do Vale de Besteiros. Foram muitos os besteirenses que participaram nessa reunião inicial que tinha “o louvável intuito de promover a defesa dos interesses desta região e de fazer a mais intensa propaganda da nossa terra, tão linda e invejada por quantos que aqui aportam…”, escrevia um articulista num artigo publicado na Folha de Tondela a 29 de Março de 1924.

Também no início do século XX, as notícias do vale de Besteiros e precisamente da freguesia de Santa Eulália de Besteiros intitulavam-se ou “Por terra de Besteiros” ou de “Besteiros”.

Essa reunião foi muito concorrida, tendo sido presidida pelo Dr. Melo Cabral que num “eloquente improviso que o fim daquela reunião devia ser completamente alheia à política e mostrou com dados seguros quais as vantagens para a região uma propaganda bem orientada e bem dirigida”. Sentia-se a necessidade, desde sempre em “elevar a nossa terra e a região à consideração a quem tem direito”.

Nessa reunião estiveram presentes “todas as forças vivas da freguesia, por isso era a demonstração que todos desejavam colaborar”. Decidiram nomear três comissões funções distintas: “ …uma executiva, outra de propaganda e uma direcção que tratasse dos estatutos”.

O articulista concluiu que o “nosso campo deseja também caminhar na vanguarda do progresso e que, se poderem congregar os esforços de todos, aniquilando de vez os ódios, todas as más vontades, e todas as invejas, este empreendimento será o início de novos empreendimentos que se formarão para o engrandecimento desta abençoada região…”. Concluiu com palavras sábias e bastantes actuais, “é preciso moralizar a vida social desta freguesia para que a união seja completa, pois sem união pouco ou nada se fará.”

Na consequência dessa reunião inscreveram-se vinte cinco sócios.

Estava dado o primeiro passo para a criação da Sociedade de Propaganda de Besteiros que marcou sem dúvida nenhuma grande parte do século XX do Vale de Besteiros.

2 comentários:

Anônimo disse...

É preciso repor a verdade e combater todos aqueles que querem mudar o rumo da história. Um certo jornaleco interactivo da cidade de Tondela insiste na tecla do alargamento do Vale de Besteiros e até nas reportagens dos jogos do Desportivo de Tondela é mencionado como clube do Vale de Besteiros. É preciso desfaçatês e sinceramente já não há pachorra.

Anônimo disse...

Campo de Besteiros nesses longinquos anos tinha gente com garra e muita iniciativa, o que infelizmente hoje não sucede, pois parece uma terra de acomodados, salvo umas poucas excepções.

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