Da nossa memória individual quando
estamos em grupo se faz a memória coletiva que nos liga a determinados lugares,
a determinadas histórias, a determinadas associações, mesmo a determinadas
pessoas. Da partilha, da comunicação constrói-se uma identidade, num mundo cada
vez mais material, onde o conceito de relação e partilha se alterou de forma
substantiva. Alguém sem memória é um pária da sociedade, alguém sem respeitar o
passado coletivo e sobretudo não o honrar, nem o preservar para memória futura,
não transmitir de geração em geração será um “criminoso” de um povo, de uma
marca, de um “ethos” que identifica, que descrimina positivamente, porque a
diferença é algo de maravilhoso num mundo cada vez mais “serial number”.
A História de um povo, de uma
povoação faz-se de memórias, materiais, mas também imateriais, mas também da
interpretação de fontes de origem diversa que serão “olhadas” pela “visão crítica
do Historiador”. Desde os anos noventa se assistiu a um apagar deliberado da
memória coletiva de Campo de Besteiros, das suas origens, de estender o nome de
Besteiros para outras zonas, omitindo deliberadamente a única definição
existente do vale de Besteiros. Ambição de outrora de definir outro rumo para a
nossa história, a memória que ficou desses tempos sempre foi incomodativa para
um poder centralizado. Tantas vezes se Vê as pessoas escreverem o Campo,
esquecendo de propósito Besteiros, quando Campo de Besteiros só não se chama
Besteiros para não se confundir com outras zonas do país com o mesmo nome. Este
apagamento foi acompanhado com a perda de influência política de campo de
Besteiros, ao mesmo tempo com a perda da importância económica.
O século XX é o exemplo do
dinamismo besteirense, notório até aos anos setenta, que os únicos
investimentos que aconteciam em Campo de Besteiros deviam-se às iniciativas
locais.
Relembrar que somos Besteiros,
soldados reais com combatiam com arma mais terrível da altura, a besta, que
infelizmente não temos a certeza da nossa origem é um ato de justiça prestar a
homenagem a todos os Besteiros, aos de outrora, os de hoje, e servindo como
farol para o futuro que se espera mais risonho. Surpreendente foi, é que a
maioria das pessoas desconhecia quem era um Besteiro, a sua arma, a sua
importância.
5 comentários:
Um povo sem memória é um povo amorfo. Felizes dos povos que honram o seu passado.
Um besteirense
Não questionem o que Campo de Besteiros pode fazer por vocês, mas o que vocês podem fazer por Campo de Besteiros. Como era bom ver a juventude de Campo de Besteiros mais motivada para trabalhar em diversas áreas como a cultura, o desporto,etc.,em vez de passarem todos os dias "noites" metidos num qualquer bar.
Rui Cruz
Sim subscrevo, como seria importante a colaboração do jovens no Besteiros, na Propaganda, nos Bombeiros, na Misericórdia. Há tantas instituições onde podiam mostrar o seu valor e a sua capacidade de trabalho e iniciativa.Mas infelizmente assiste-se a uma juventude sem iniciativas e sem objectivos.
Se estão á espera que os jovens de Campo de Besteiros fassam alguma coisa de util bem podem esperar sentados. Eles querem é cortir no bar do Soares.
Sou um jovem residente no Campo e sei do que falo.
INFELIZMENTE, digo eu
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