24 de dezembro de 2011

CONTO DE NATAL - BESTEIROS

VI - O CHICO PETIZ E A EMIGRAÇÃO



O Chico petiz não tem tido grande tempo, desde que tem reservado o tempo que tem, mesmo aquele que não tem a fazer as malhas, ou melhor a mala de cartão para emigrar conforme foi aconselhado.
O Chico sabe que só tem um canudo, ganho após algum tempo de frequentar a Universidade. Concorreu alguns empregos precários, de meses, em todos ficou bem visto, mas no final, a crise apontava-lhe a porta da rua. Está consciente que nunca presidiu a nenhuma jota, currículo importante para o futuro, nunca consegui emprego com “amigos” que conheceu na política. Sim, sabe e está consciente o que tudo que conseguiu foi com esforço, sobretudo com muito trabalho. Sim, nas férias bem trabalhava para poder pagar os estudos. Sabia também que nada lhe tinha sido oferecido, mas tudo aquilo que tinha conquistado tinha saído do corpo, sobretudo da alma.
Não ia também de vespa para o trabalho e regressava a casa num Audi de oitenta seis mil euros. Sabia isso tudo, por isso não lhe restava mais nada que a porta de saída. Tudo o que tinha investido por este país, serviria para outro país, e muito dificilmente regressaria. Da mesma forma que muitos jovens que partiram e nunca mais vão regressar, somente em férias.
Mas o que deixava mais intrigado o Chico petiz era aquela história da governante que depois de ter sido eleita para governar a casa, e sendo incapaz de o fazer, ia aos poucos aconselhando os habitantes da casa a saírem da mesma, não sem antes lhes encolher o ordenado.

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