19 de novembro de 2011

RISCOS E RABISCOS DE BESTEIROS

Fala-se de democracia, a voz do povo, o poder do povo. Os meios de comunicação falavam dos escândalos de Berlusconi em Itália, ondas de contestação, mal-estar geral, mas o primeiro-ministro italiano só caiu com a crescente pressão dos mercados financeiros. Irónico, mas neste momento assiste-se sinais preocupantes, de forma mais ou menos encoberta, essas instituições financeiras a tomarem conta do poder, independente da vontade do povo, do voto democrático. Em Itália e na Grécia os dois indigitados como primeiros-ministros foram funcionários de uma agência financeira, bastante influente a nível mundial. Em Espanha, amanhã, domingo, realizam-se eleições, e os mercados financeiros durante a semana fizeram disparar os juros para pressionar o povo a escolher os governantes que lhes interessam. A tal “democracia” interesseira, de paus mandados a decidirem segundo os seus interesses.
A democracia está em risco, quando o capitalismo se assume com direitos para decidir em vez do povo. O caminho que se está seguir em Portugal é errado e o tempo o confirmará. Ainda se pensa, numa visão terceiro mundista que as empresas se tornam concorrenciais baixando os ordenados, quando a solução passa por uma melhor formação e sobretudo por altos índices de qualidade e produtividade.
Desde sempre a saída para a crise passa por um mercado interno forte, interventor e decisivo. Obrigue-se a consumir o que é português, mas criem-se condições de empregos para as pessoas, salários justos e sobretudo diminuir as taxas que pagam as empresas, da mesma forma como acontece na Irlanda. Aumentando o consumo, aumentam o dinheiro no cofre do estado. É vergonhoso, quando se aponta como saída para os jovens a emigração para o estrangeiro, numa política de exportação de recursos humanos, de seres pensantes e sobretudo de seres insubmissos e ainda cultos que se podem revoltar.

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