12 de novembro de 2011

OUTONO EM BESTEIROS



Por vezes, ou quase sempre a natureza nos surpreende. Pensamos mesmo que um Pintor sem descanso pintou a paisagem de tons outonais, tons únicos de beleza que dão uma tonalidade diferente ao vale. Apesar da grande maioria dos campos estar ao abandono, ainda nos surpreende as cores da estação que antecede o inverno. Besteiros têm sempre encanto em todas as estações do ano. A sua diversidade nos atrai, o contraste da serra e do vale que se acolhe na margem do Crís e o protege junto à serra que o guarda e cria condições únicas de clima. Olhar seja onde for para o vale não é perder tempo ao tempo, antes pelo contrário, sobretudo se olharmos de um ponto elevado, e isso a serra do caramulo reserva-nos lugares onde podemos olhar e desfrutar do vale de Besteiros. Aquele vale onde muitos besteiros se prepararam para batalhas ao serviço do seu rei, sempre justos, sempre dedicados, sempre leais, sempre prontos, sempre de espírito independente, confiando na sua besta, nos seus colegas. Espíritos aventureiros, destemidos mas os quais o vale estendia as suas amarras pela sua beleza e aconchego de se sentirem em casa. Voltar seria momento único, da alegria do regresso, de encontrar os seus, as suas terras, o seu chão.
Ao olhar de Outono, ao ver o Outono, ao sentir o Outono é sentir o vale no seu todo, onde a unicidade resulta do conjunto dado pela paisagem, pelas pessoas que com as suas mãos a transformaram. Porém, ao vermos a maioria dos campos abandonados somos obrigados a interrogarmos as razões, de que hoje, nos nossos dias a agricultura não entrou numa nova fase com novos projectos com maior rentabilidade. A fertilidade do vale sempre impediu a escolha de uma cultura rentável que fosse um complemento aos orçamentos familiares. O milho, os produtos hortícolas, as árvores de fruto, a vinha resumem-se a uma agricultura de subsistência, no sentido do termo que não produz os excedentes necessários para que possam ser uma fonte de rendimento. Também a forma de exploração em parcelas individuais pouco rentáveis e sobretudo sem uma correcta planificação de recursos humanos e materiais. Talvez a solução passasse encontrar uma cultura rentável adequada ao clima, e num regime cooperativo “encher” os campos e ao mesmo tempo encher os bolsos de cada um. Outras terras do nosso país encontraram a solução adequada, e terras que seriam hoje mato produzem a melhor maça do país como é o caso de Armamar.


Nenhum comentário:

-------------------------------Um baú de histórias e memórias--------------------------------