5 de novembro de 2011

CONTOS DE BESTEIROS

O CHICO petiz e a DEMOcracia...
IV
Apesar de tudo, o Chico petiz era um rapaz feliz. Apesar de tudo, escrevo bem, porque o “terror” do seu sossego era o Polícia Barnabé, policia sempre em pé, de bigode farfalhudo, um pouco barrigudo, mas sempre ao dispor da nação.
Mas nos últimos tempos, já não era só o Policia Barnabé o seu centro de atenção, a sua única preocupação, outras se sobreporiam, mais gravosas e actuais, cada vez mais prementes e ele que já não tinha mente para tanta coisa.
Apesar de tudo, também andava um pouco aborrecido com o Polícia Barnabé que tinha prometido ouvir habitantes da Aldeia do Sol em referendo para autorizarem que os rapazes possam jogar à bola na Praça Central. O Chico petiz, mais seus amigos já tinham iniciado a campanha pela autorização, até já faziam os trabalhos de casa, não com muito agrado, mas faziam.
Mas próximo do referendo, o Polícia Barnabé voltou com a palavra atrás. Apresentou mil e uma razões, mas sabia-se que tinham sido a influência das aldeias vizinhas, porque esse gesto de dar o poder da decisão ao povo era perigoso para a democracia das aldeias. Aqui manda quem pode, mas o poder vem do poder da autoridade e não do poder do povo.
Apesar de tudo, o Chico petiz tinha ouvido na televisão pública, por enquanto, que a cimeira tinha aceite um “calote” da dívida grega. Mas esse “calote” pressupunha que os gregos aceitassem um novo plano de austeridade. Mas pelos vistos e sem vistos nenhuns, os gregos queriam submeter a um referendo o novo plano. Impunha-se ouvir o povo, impunha-se finalmente num acto democrático, ouvir opinião daqueles que irão sofrer com esse novo plano de austeridade. Por isso compreendeu que na sua aldeia também não se realizasse o referendo, porque isso da democracia é uma história muito bonita para se contar aos filhos.

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