26 de outubro de 2011

SENHORIO DE BESTEIROS - ano 1414 (ficção)


Nem tudo corria bem no senhorio do Besteiros. A falta de ideias, a inexistência de um projecto consistente de desenvolvimento, a incapacidade de se ver o futuro a médio prazo, deixava sem palavras e sobretudo sem ideias o conde de Besteiros, mais o seu responsável das finanças, pessoa de discurso monocórdico, desprovido de emoção, sempre de olhar de merceeiro que cobra tudo o que houver para cobrar.
No senhorio, o desemprego cada vez era maior, as oficinas artesanais sem trabalho despediam, porque já não conseguiam pagar aos seus trabalhadores. Ao mesmo tempo, os agricultores abandonavam os campos, porque não tinham a quem vender os seus produtos. Os comerciantes coitados desesperavam pela entrada de clientes interessados em comprar, mas eles ficavam à entrada, a olhar tristemente os bolsos vazios.
O conde desesperava, porque apesar de ter aumentado os impostos sobre aqueles que trabalhavam, os rendimentos diminuíam, porque cada vez mais eram menos aqueles que pagavam.
O Inverno aproximava-se, mas as lareiras teimavam ficar apagadas, porque imposto tinha sido agravado, e agora ir de um senhorio a outro era o custo exorbitante, porque se pagavam peagem, direitos de passagem e outros foros, dos quais já não existia memória.
Esforço enorme, mas agravado por um nobre de baixa condição dependente do conde que gastava sem contenção, mais do que aquilo que podia. O conde, coitado fazia alguns reparos públicos, mas não o destituía do lugar, porque apesar de tudo era da sua família. Assim andava e não desandava essa pequena ilha.
Este simples pobre escrivão que nunca estudou economia, apesar de ter aprendido História Económica, há muito sabia. Que em todas as crises, desde que acabou o ouro no Brasil, a saída é ter um mercado interno forte, porque assim se desenvolvem as sinergias necessárias para o desenvolvimento do senhorio.

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