III
SEM SENTIDO
O Chico petiz vê que cada vez mais a sua preocupação aumenta. Não é que seja o seu estado natural, porque isso de preocupações é mais para os seus pais, mas desde que começou a ter sentido naquilo que diziam os adultos que as coisas começaram a se encaixar, e a ter sentido para ele.Embora para ele não tivesse sentido o corte do décimo terceiro mês e do subsídio de Natal, se até a própria lei consagrava como direito irrevogável. Enfim, mas também não tinha sentido outras coisas como saber que reformados bancários tinham direito ao mesmo. Mas menos sentido fazia quando o próprio estado criava portugueses de primeira e segunda. Pois era tudo uma questão de sentido, mesmo quando um ministro não escolhido pelo povo tecia considerações e comparações com outras civilizações, mais a norte da Europa. Nesses países recebem só doze meses de salários, mas não disse porém que nesses doze meses recebem muito mais, do que os do sul em catorze meses. Pois isso não interessava, porque de retórica, mesmo que a mesma não faça sentido, estamos conversados. Mas o que se pode esperar de alguém que quer destruir o serviço público de televisão, e aí, passaria mesmo a ver-se coisas sem sentido nenhum, aberrações completas como aquela que circula na internet, sobre uma casa de segredos, onde estão alguns em que a burrice é a sua primeira qualidade. O Chico petiz viu e aprendeu que a coisa não era assim, e quando perguntaram a uma concorrente um país da América do Sul, a mesma respondeu África. Ele sabe que fala-se nos corredores ministeriais em reduzir horas a história e a geografia e mesmo fundi-las numa só. Isto só faz sentido, se quiser que Portugal retroceda civilizacionalmente, e o país se limita a saber contar, escrever coisas simples, mas não debater, porque a sua cultura será limitada. Então seríamos uns “carneirinhos” abjectos que aceitaríamos tudo que nos quisessem impor. Nem Salazar foi tão longe, porque isto de História era um designo nacional e tínhamos orgulho no mundo português, e na sua História.
Será que isto tudo faz sentido, num país cada vez mais sem sentido nenhum.
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