AS INSIGNIFICÂNCIAS, OU A FALTA DE IDEIAS SOBRE...

As viagens de comboio tornam-se sempre interessantes, porque se contacta com o país real. Ao regressar do Porto, deparei-me com uma senhora já de provecta idade com sete caixas e um saco que poucas horas antes estavam cheias de produtos agrícolas que as suas mãos calejadas tinham colhido da terra que trabalhou com o seu suor. A manhã até tinha lhe corrido bem, mas restavam uns tomates que não tinha conseguido vender. Eram poucos, mas mesmo esses poucos, não os queria levar para casa. Então “oferecia” os tomates a todas as pessoas que passavam na carruagem. Episódio surreal, mas pitoresco, onde a necessidade aguça o engenho.
A senhora há moda antiga, quando instada a mostrar o bilhete tirou vários sacos de plástico e enfim mostrou o bilhete de identidade e o bilhete, mas curioso, no mesmo saco encontrava-se o dinheiro que tinha ganho nessa jornada de venda. Embrulhou tudo cuidadosamente e escondeu, porque os tempos são de cuidados.
À noite, essa senhora se viu a televisão via uma peça jornalística sobre o ministério da agricultura e outros, onde foi decidido não usarem gravata para reduzir os custos com ar condicionado. Ridículo, para não dizer outra coisa, porque seria tempo que esses senhores começassem a governar e se deixassem de “fait-divers”. O país necessita de medidas urgentes, relacionadas com agricultura e não peças jornalísticas sobre insignificâncias. Foram gastos cerca de três minutos com uma não notícia.
Por isso e como de costume teremos de ser nós portugueses através do desenrascanço a resolver a crise e sem gravata, e também sem anéis, mas ou menos que fiquem os dedos.
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