8 de setembro de 2016

FESTA DE NOSSA SENHORA DO CAMPO – SEISCENTOS ANOS DE HISTÓRIA








Mais um oito de setembro, dia de festa, dia da natividade de Nossa Senhora, dia grande da região de Besteiros, dia em que se realiza a festa de Nossa Senhora do Campo. Falarmos desta festa é falarmos de um culto a Nossa Senhora com seiscentos anos e ao mesmo tempo comemora-se este ano quatrocentos anos da primeira reedificação do Santuário de Nossa Senhora do Campo.
Hoje, menos quente, porque parece que setembro traz o diabo no ventre, principalmente devido as altas temperaturas das cai resultaram que seis de setembro tenha sido o dia mais quente do ano.
Voltar a Besteiros, voltar a reviver esta festa é sempre uma profusão de sensações, saudade, a primeira de tempos idos, de tempos onde vivia-se a festa, vivia-se com orgulho o ser Besteirense, e sobretudo vivia-se a nossa diferença. Outra sensação de respeito pelos nossos antepassados que vivenciaram ao longo dos s+séculos o culto a Nossa Senhora, outra de tristeza, por não ver as multidões de outrora, e por que alguns de nós não sabem “merecer” a história e honrar a memória dos nossos antepassados. Devemos estar cientes que era até ao início do século XX o santuário Mariano mais importante do Bispado de Viseu, nomeadamente do sul da diocese. Aqui deslocavam-se romeiros de sítios longínquos, alguns bem difíceis de pronunciar à espera de uma cura, de uma graça, de uma ajuda. Assistimos a um  Santuário de Nossa Senhora do Campo embelezado com primor pelas mordomas, mesmo assim ainda foi pequeno para os besteirenses presentes que mais tarde participaram na procissão que percorreu as ruas da vila de Campo de Besteiros.
Este ano, como no ano passsado reviveu-se a história ao realizar-se no fim da celebração da Sagrada Eucaristia a bênção das colheitas que se encontravam expostas em frente do santuário. conforme relatos dos mais antigos.
Como de costume pelas onze horas iniciou-se a Eucaristia abrilhantada pelo grupo coral da paróquia de Campo de Besteiros. No fim da Eucaristia, e após a bênção das colheitas, saiu a procissão que percorreu a Rua de Nossa Senhora do Campo em direção ao Seixo com os pendões à frente, e depois os andores carregados aos ombros e magnificamente enfeitados. Em primeiro lugar ia o andor de Nossa Senhora das Graças, em segundo, o andor de Nossa Senhora do Carmo e por último, o andor de Nossa Senhora do Campo carregado como habitualmente aos ombros de senhoras. Chegada a procissão ao cruzamento com a avenida de Santa Eulália, desceu em direção à Avenida Dr. Afonso Costa percorrendo-a até ao fim do parque de Campo de Besteiros, regressando à capela de Nossa Senhora do Campo através da rua ator Alves da Silva, dando uma volta ao Santuário e recolhendo-se em seguida.
Olhar para esta festa de Nossa Senhora do Campo é olhar para uma festa que por direito próprio deveria ser uma das maiores festas religiosas do concelho que em tempos idos tinha acoplada a si uma feira franca de grande importância para a região.

Vimos também uma pequena exposição a lembrar a famosa feira da semente em que os agricultores se afadigavam em comprar a melhor erva para semear no meio dos milheirais, onde estavam diferentes produtos saídas da terra, e outros importantes no quotidiano do agricultor. A tradição deve ser o que era, e devemos ter consciência que esta festa religiosa tem uma proveta idade de cerca de seiscentos anos, sendo uma das mais antigas do país que se realiza de forma ininterrupta. Preservá-la deve ser uma missão de cada besteirense. 

Nenhum comentário:

-------------------------------Um baú de histórias e memórias--------------------------------