| Em Kulautuva, Lituânia com um instrumento semelhante lavavam no rio |
Os símbolos, as marcas de um povo devem ser
preservadas. Algum tempo atrás numa viagem que fiz à Lituânia, numa pequena
povoação próxima da cidade de Kaunas, Kulautuva fomos conduzidos com orgulho
das “gentes locais” a visitar um monumento que representava a história daquele
povo. Este povo, em tempos idos, lavava no rio tecidos da grande cidade,
utilizando nessa função, um instrumento com uma configuração estranha. A
evolução tecnológica pôs fim a essa atividade, e por esse facto, o povo de Kulautuva
decidiu preservar a sua memória e representá-lo como documento histórico. Um
povo de bem com a sua história, um povo de bem com a sua memória, um povo que
sabe o valor de preservar e transmitir. Claro que não podemos exigir que todos
pensem assim , mal seria. Já vimos esse filme em relação às gravuras do Côa. Porém,
outros exemplos surgem pelo mundo fora de representar a história de um povo através
de um monumento evocativo, como por exemplo vi em Thian, na Hungria.
| Húngria, de forma simples representada a história do povo daquela pequena cidade |
A construção de um monumento cria postos de
trabalho, claro que não! Se atrai pessoas para residirem, sim, pode atrair, se
for agradável a vista, porque a escolha de um local para morar depende de
diversos factores, mas um deles é agradabilidade do sítio que em determinados
locais onde a distância não seja relevante ao local do trabalho é sempre um
factor a ter em conta.
Junto ao Monumento encontra-se a capela da Senhora
do Campo, classificada como monumento de interesse nacional. Olhar os seus tectos,
os seus retábulos não é perder tempo ao tempo. Por esse facto, a formação de
técnicos com capacidade de interpretar e explicar o que se pode ver no interior
do edifício, também a história do monumento que se encontra na área, seria um
passo para integrá-la conjuntamente com o monumento aos Besteiros num percurso
turístico. Ao mesmo tempo desenvolver a recolha e inventariação de instrumentos
relacionados com a avicultura, para criar um núcleo museológico, seria outro
passo importante. Outro caminho que nos colocaria de bem com a nossa memória
coletiva passaria pela recuperação na Ribeira, dos moinhos, da forja dos
ferreiros, assim teríamos uma terra museu com polos de interesse e virada para
o futuro.
| Em kulautuva, um autêntico "museu" na floresta que envolve aldeia que atrai milhares de vistantes durante o ano |
Comer “cultura” não mata a fome, mas saber olhar
com olhos de olhar, saber preservar pode contribuir para que se “mate” a fome
com outros projetos que vão a reboque. Tudo depende do olhar, sobretudo se esse
olhar não for material.
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