1 de março de 2012

SENHORIO DE BESTEIROS. maus caminhos!



Nem tudo corria bem no senhorio do Besteiros. A falta de ideias, a inexistência de um projeto consistente de desenvolvimento, a incapacidade de se ver o futuro a médio prazo, deixava sem palavras e sobretudo sem ideias o conde de Besteiros, mais o seu responsável das finanças, pessoa de discurso monocórdico, desprovido de emoção, sempre de olhar de merceeiro que cobra tudo o que houver para cobrar.
No senhorio, o desemprego cada vez era maior, as oficinas artesanais sem trabalho despediam, porque já não conseguiam pagar aos seus trabalhadores. Ao mesmo tempo, os agricultores abandonavam os campos, porque não tinham a quem vender os seus produtos. Os comerciantes coitados desesperavam pela entrada de clientes interessados em comprar, mas eles ficavam à entrada, a olhar tristemente os bolsos vazios.
O conde desesperava, porque apesar de ter aumentado os impostos sobre aqueles que trabalhavam, os rendimentos diminuíam, porque cada vez mais eram menos aqueles que pagavam.
O Inverno aproximava-se, mas as lareiras teimavam ficar apagadas, porque imposto tinha sido agravado, e agora ir de um senhorio a outro era o custo exorbitante, porque se pagavam peagem, direitos de passagem e outros foros, dos quais já não existia memória.
Escrevi assim algum tempo atrás, cerca de seis meses. Facilmente verificamos que o valor dos impostos cobrados tem vindo a diminuir. Agora, também o máximo responsável pela troika veio afirmar que não podem ser tantos cortes, tanta austeridade, porque irá atrasar o crescimento económico.
Este simples pobre escrivão que nunca estudou economia, apesar de ter aprendido História Económica, há muito sabia. Que em todas as crises, desde que acabou o ouro no Brasil, a saída é ter um mercado interno forte, porque assim se desenvolvem as sinergias necessárias para o desenvolvimento do senhorio.

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