No fundo, mesmo no fundo, como imagem fantasmagórica vê-se a Igreja Matriz de Campo de Besteiros. O fumo tolda a paisagem, mas não tolda as recordações, as memórias que a mesma transporta consigo. Desde o Batismo, vamos ordenando momentos únicos da nossa vida, alguns bastante alegres, outros mais tristes, mas momentos que nos formaram na nossa maneira de ser. Igreja de santa Eulália, a torre, os sinos, a cruz que nos orienta. Apesar das nossas crenças e hábitos será sempre a nossa igreja, a nossa recordação.
Pode não ser o efeito do determinismo, mas o meio molda-nos, transforma o nosso ser, a nossa forma de pensar, mas também, apesar das distâncias, as memórias contribuíram para a construção do nosso “Eu”. Voltar à nossa Terra, ao nosso meio, nem que seja por breves momentos é o anseio de todos aqueles que ainda conservam amor pelas suas origens. Mesmo não podendo voltar, viajamos pela memória, pelos objetos, pelas fotografias, pelas histórias que contamos aos filhos. Alguns de nós só conhecemos Besteiros pela visão de outros, ou então por alguma visita que fizeram. De certeza que essa visita os arrebatou e conheceram melhor os seus progenitores.
Por vezes cruzo aqui com besteirenses que mantêm os seus laços a Besteiros por intermédio dos seus familiares. Histórias de vida com um denominador comum que é a nossa terra, o nosso Besteiros. Claro que é diferente ter uma vivência desde criança que marca um percurso de vida. Outros, porém Besteiros nada lhes diz, estão no seu direito de negação das origens. Natural, mas felizes daqueles que somente ouviram algumas histórias, viram algumas fotografias, calcorrearam algumas ruas, guardaram algumas recordações e afirmam orgulhosos a Terra dos meus pais é também a minha Terra.
Alguns anos ao falar com um besteirense que desde muito novo tinha partido de Campo de Besteiros registei a seguinte história. Ainda na escola primária e por várias razões nunca mais tinha voltado a Besteiros. Mesmo o nome Besteiros era algo distante que a grande cidade tinha apagado. Já perto dos quarenta viu-se obrigado a voltar a Campo de Besteiros, a percorrer lugares da sua infância, e de forma inesperada como disse, sentiu o coração a bater mais forte, as lágrimas a rolarem, porque finalmente encontrou a sua terra, a sua origem, o seu lugar. A grande cidade não tinha conseguido apagar o amor, a memória, as imagens de infância.
2 comentários:
bonito o que diz
Guardo com muitas saudades memórias de Campo de Besteiros.
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