1 de dezembro de 2011

CONTOS DE BESTEIROS

V


O CHICO PETIZ; DIA DA INDEPENDÊNCIA



O Chico petiz continua com aquela mania de espreitar no buraco da fechadura. Deu-lhe para isso nos últimos tempos, e tarda a perder esse hábito, porque ao espreitar nunca se vê tudo ou ouve tudo, e podemos ficar confusos com a parte que nos toca nos ouvidos. Pois, o Chico petiz deu para ouvir o que foi apresentado pela troika, a um país dito independente. Sim, independente, porque isso aprendeu, na escola quando a História ainda era uma disciplina estruturante, e onde o um de Dezembro era realçado com todo o rigor e a figura do Miguel Vasconcelos, o traidor era tratado como devia.
Mas ao ouvir o discurso da troika, sobretudo os conselhos que parecem mais obrigações, deu por ele a pensar que existem outros migueis vasconcelos, nos nossos dias, sem a costela direita que aceitam tudo que o capital impõe a este país independente.
Nós naquela velha mentalidade, do que é de fora é que é bom, sempre a denegrir o que é nosso, naquela visão miserabilista de ser português. Fomos grandes, somos grandes e sobretudo quando queremos e fazemos por isso somos bons. Mas enfim, a nossa auto-estima anda sempre pelas ruas da amargura, onde o ser português é para alguns um fardo, mas deveria ser para todos um orgulho de ser luso. Nós somos diferentes para melhor de outros povos e em muitas coisas somos um exemplo a seguir.
Por vezes queremos dar a ideia errada de um povo que não trabalha, que não se esforça, que não luta pelo seu sustento, que vive somente de expedientes e atrás do subsídio. Ideia errada, mas que alguns nos tentam colar e mesmo vender para o estrangeiro. Agora, pensam alguns, e pelos vistos alto que a solução passa por reduzir o número de feriados, porque assim, de certeza aumenta-se a produção. Agora em relação às pontes, sim deviam ser banidas e sobretudo não permitir que se pudesse faltar, porque aí sim, perde-se um dia de trabalho que não estava previsto na planificação anual.
A solução passa, e disso não abdico por uma melhor formação profissional, por um código deontológico rigoroso em cada profissão e sobretudo por maior responsabilização do trabalhador com a definição criteriosa de índices de produtividade.
Por isso, o Chico petiz continua triste, a não compreender muito bem algumas reformas ou medidas que se pretendem implementar.

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