Na altura de Novembro já se sonhava como o Natal, não é que o mesmo fosse farto em prendas, mas era sobretudo farto em carinho e amor natalício. Mas antes da época natalícia tinha-se de vencer o mês de Novembro, das folhas amarelecidas, do amarelo-torrado que invadia os campos. Ao mesmo tempo as primeiras aragens frias.
No mês de Novembro começavam as matanças dos porcos, enchiam-se as salgadeiras, as fêveras pingavam no pão que davam um sabor único. Dia de matança, dia de festa abria-se a casa aos vizinhos e todos saboreavam o porco.
Nesta altura também os míscaros ou sanchas davam um sabor irresistível ao arroz com carne de vinha de alhos que sabia como um manjar dos deuses.
Dizia o povo, mas acho que sem razão que os míscaros só apareciam aos malucos, mas não era assim, apareciam aqueles, como tudo na vida, estavam atentos aos pormenores, tinham paciência e sobretudo tempo para nos pinhais os procurarem. Da terra vinha o sabor, da terra vinha o alimento, da terra, apesar do frio, apesar da chuva existia sempre algo para nos encantar e deliciar.
Por isso com saudade se olha para o mês de Novembro que a urbanidade nos retirou o prazer de saborear.
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