29 de julho de 2011

SALVAR A PEDRA FURADA



Da nossa infância guardam-se memórias de locais únicos, para nós de sonho, alguns até escreviam sobre ela, a praia dos pobres. Já perceberam que escrevo sobre a Pedra Furada. De certeza, os mais velhos com algumas dezenas de primaveras guardam histórias sobre a nossa Pedra Furada. Quando estávamos próximos, ouvíamos a água a cair no açude. Esse som como nos refrescava, ainda antes de mergulharmos nas águas frias do Cris. Momentos únicos, mesmo agradáveis onde se conjugava a natureza com a água como se fosse só um elemento. A rocha onde se mergulhava ainda lá está, o caminho que permitia chegar à água está coberto de tojo e silvas, impedindo a passagem. Custa ver que a Pedra foi deixada ao abandono, um ambiente sombrio invadiu aquelas águas, a areia encontra-se escura. É visível o assoreamento, mas também é visível o desleixo, ou deixar para trás algo que deixou de ter importância. Do outro lado o tronco da árvore que alguns mais destemidos escolhiam como local de mergulho.
Muitas vezes nos preocupamos com o que podem fazer por nós, também seria importante revelarmos outra atitude, de perguntar o que nós podemos fazer por aquilo que faz parte da nossa memória.
Nós como besteirenses temos o dever moral de salvar a Pedra Furada. Local único, mesmo de eleição. Por muitos motivos e mais alguns, principalmente garantir a qualidade da água que tem ETARS a montante.
Propunha que se aproveitasse os domingos para realizar caminhadas de “ir de encontro” às nossas memórias, descobrir a nossa natureza, a fauna e flora. Seria importante inventariar, para um dia mais tarde podemos conservar a nossa marca no mundo.
Nós besteirenses não podemos só exigir às entidades públicas que façam trabalho, que muitas vezes não é prioritário. Também será importante a nossa união, o dizer presente. Por isso, vamos deixar o nosso comodismo e marcar para um próximo domingo, uma caminhada intitulada “Salvem a Pedra Furada”.

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