30 de dezembro de 2012

MEMÓRIAS DE BESTEIROS - Natal de tempos idos...


A manhã acordava cedo. Fria, na verdade, bastante fria, em casas onde o aquecimento vinha das lareiras, e de algum tijolo embrulhado em papel que aquecia a cama, ou então numa garrafa de genebra, vazia com água aquecida ao lume. Mesmo com o frio que se sentia, acordava cedo. O manto branco estendia-se pelos campos a perder de vista, o frio fazia bater o dente, convidando a permanecer em casa, no aconchego da lareira. Mesmo assim com alegria renovada partia-se na procura do melhor musgo para construir o presépio paroquial. Todos anos, a mesma ambição, todos os anos, o mesmo sonho de fazer o melhor presépio de Natal. Reviravam-se os pinhais à procura do musgo. Mais tarde chegados à Igreja Paroquial iam buscar-se os caixotes, onde se guardavam as figuras do presépio e tiravam-se os papeis que as tinham protegido, no longo ano.
Outros, tratavam da parte elétrica, que ficava sempre um emaranhado de fios, quando com carinho, no velho estrado se construía o “melhor” presépio de Natal. Sim, o melhor, porque era o nosso. O nosso do lindo vale de Besteiros.
A noite, já tinha estendido os seus longos braços pelo vale, quando se dava pela tarefa terminada. Voltava-se a casa, onde “os nossos” nos aguardavam para a ceia de Natal, mais tarde, perto da meia-noite, ao som do sino em “bandos” dirigíamo-nos à Igreja para participar na Missa do Galo. A Igreja enchia-se de alegria, por vezes aconteciam alguns excessos, outros esqueciam-se que estavam num lugar sagrado, mas como era diferente aquela noite, que se prolongava pela madrugada ao redor do madeiro que a iluminava e nos aquecia.
O nosso Natal, de há muitos anos. Hoje, até o presépio está diferente, mais pequeno, talvez não com o mesmo significado.

 

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